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BPC / LOAS

Meu filho tem autismo: ele tem direito a
algum benefício do INSS?

O diagnóstico costuma trazer dúvidas sobre os apoios disponíveis à família. Veja como funciona o BPC e o que considerar antes de solicitar o benefício.

Lara Lívyna
Por Lara LívynaAdvogada · OAB/TO 12.666
4 min de leitura

Publicado em

Mãe acompanha o filho enquanto ele brinca com blocos de madeira. À direita, uma fita colorida com peças de quebra-cabeça representa a conscientização sobre o autismo.

Sim. A criança com autismo pode ter direito ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), conhecido como BPC/LOAS. Mas a concessão não é automática: além da avaliação da deficiência, a família precisa atender aos requisitos econômicos e cadastrais.

A Lei nº 12.764/2012 reconhece a pessoa com transtorno do espectro autista (TEA) como pessoa com deficiência para todos os efeitos legais. Esse reconhecimento não elimina a análise dos requisitos específicos do BPC.

O que é o BPC e qual é o valor?

O BPC paga um salário mínimo por mês à pessoa com deficiência de qualquer idade que preencha as condições de acesso. Por isso, crianças também podem receber.

Embora o pedido seja analisado pelo INSS, o BPC é um benefício assistencial. Não é aposentadoria e não exige contribuições anteriores da criança ou dos pais. Também não paga 13º salário nem gera pensão por morte.

O laudo de autismo é suficiente?

O laudo é importante, mas precisa ser acompanhado da análise dos demais requisitos. A avaliação considera os impedimentos de longo prazo e as barreiras que afetam a participação da criança na sociedade.

Não se trata de exigir que uma criança demonstre incapacidade para trabalhar. O foco deve estar nas atividades e na participação compatíveis com sua idade.

Na preparação dos documentos, é necessário mostrar situações concretas: como a criança se comunica, como é sua participação na escola, se realiza cuidados pessoais ou não e quais apoios utiliza. Relatórios médicos, terapêuticos e escolares podem ajudar a explicar essa rotina.

O nível de suporte informado no diagnóstico não deve ser apresentado como uma resposta automática sobre o benefício. É necessário avaliar o caso individualmente e a documentação, sem reduzir apenas a uma classificação.

Como funciona o requisito de renda?

A regra legal de referência é a renda familiar mensal por pessoa igual ou inferior a 1/4 (um quarto) do salário mínimo. O cálculo considera o grupo familiar definido pela legislação e as exclusões legais de renda.

Não basta dividir a renda pelo número de todos os moradores da casa. É necessário identificar quem integra o grupo familiar para o BPC.

A lei também admite outros elementos para demonstrar vulnerabilidade. Gastos necessários com tratamentos, medicamentos e outros cuidados não oferecidos gratuitamente pela rede pública podem ser relevantes, conforme as condições legais e a comprovação. Isso não significa que qualquer despesa possa ser descontada automaticamente.

Por isso, se a renda superar o limite de referência, vale examinar a composição familiar, as despesas de saúde e o motivo de eventual negativa antes de concluir que não existe possibilidade de reconhecimento do direito.

Quais documentos ajudam no pedido?

Além dos documentos exigidos para identificação e representação, organize os materiais que expliquem a situação da criança e da família:

  • CPF e documentos de identificação da criança e dos familiares;
  • documentos do responsável e de representação, quando aplicáveis;
  • informações atualizadas de renda e composição familiar;
  • laudo médico com diagnóstico e descrição das necessidades da criança;
  • relatórios de acompanhamento terapêutico e escolar, quando disponíveis;
  • receitas, comprovantes de gastos e documentos sobre a falta de acesso gratuito aos cuidados necessários, se esse ponto fizer parte do pedido.

Essa é uma orientação de organização. A documentação complementar depende do caso e das exigências do INSS.

E se o INSS negar o benefício?

Se o pedido for negado, é importante entender o motivo apresentado pelo INSS e verificar se a situação da criança e da família foi analisada corretamente.

Buscar a orientação de um advogado especializado em Direito Previdenciário pode ajudar nessa etapa. O profissional poderá analisar a decisão, conferir a documentação e orientar sobre os documentos necessários para demonstrar as necessidades da criança e a realidade econômica familiar.

Com essa análise, será possível avaliar o caminho adequado para o caso, que pode envolver recurso administrativo ou ação judicial, observando os prazos aplicáveis.

Fontes oficiais

Lara Lívyna Advogada

Sobre a autora

Lara Lívyna é advogada em Paraíso do Tocantins, com atuação em Direito Previdenciário, inventários, contratos e consultoria jurídica.

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